domingo, novembro 06, 2011
POESIA
As cidades são teias
Complexas, emaranhadas
Com enredadas veias
Entrançadas.
As cidades são alçapões
De lixo e impuro ar
Onde se agitam corações
A pulsar.
As cidades são cerebrais
Com tramas e armadilhas
Com bairros que descem ao cais
Em pilhas.
As cidades são sensualidade
Nas noites agitadas
Eróticas, feitas de infidelidades
Ousadas.
As cidades são emoções
Escorrendo pelas janelas
Com sonhadas divagações
Tão belas.
As cidades são malandragem
Em gente vil, gananciosa
Com pobreza e vadiagem
Danosa.
As cidades são vendavais
De políticos, banqueiros, advogados
Que se mostram por demais
Endinheirados.
As cidades são antros viscosos
De negócios menos claros
Nelas pululam caprichosos
Bordeis caros.
As cidades são o chamariz
Da gente do interior
E nela há muito petiz
E amor.
As cidades são a loucura
De gente sempre a correr
Na azáfama ou na ternura
De sobreviver.
16 de Abril de 2011
MÁRIO MATTA E SILVA
ABSOLUTAMENTE
Há um vaguear sem rumo
ir ao encontro do nada
no desvendar o absoluto
sem repouso de caminhada
um agigantar o peito
sem descanso e sem jeito
já cansado de fugir
neste ir mas nunca ir
em grande voo ou passada.
Há tanta esperança perdida
tanta gaivota no ar
onde o grito vai ecoando
e as passadas são sentidas
em cada luz do luar
aqui e além um bulir
da folhagem desses prantos
há um ir e um não ir
réstias de outros encantos
e bem cá dentro de nós
soa o aviso em sirene
de que ficaremos sós
quando o corpo já só geme.
Há o compasso de espera
de esperar não sei o quê
um cheiro acre a Primavera
e já em nada se crê
num seguir sempre em frente
em busca do que se não vê
e o resto que se teme
está sempre perto da gente
mesmo que seja passado
na vitória de ser hoje
arremesso desalmado
já sem loucos para amar
de tudo o mais esvaziado
ou prestes a esvaziar.
Há um ponto de partida
outro haverá de chegada
neste contestar a vida
onde se aponta o inocente
na raiva sobressaltada
de ser tudo fantochada
tudo absolutamente.
3 de Abril de 2011
MÁRIO MATTA E SILVA
ABSOLUTAMENTE
Há um vaguear sem rumo
ir ao encontro do nada
no desvendar o absoluto
sem repouso de caminhada
um agigantar o peito
sem descanso e sem jeito
já cansado de fugir
neste ir mas nunca ir
em grande voo ou passada.
Há tanta esperança perdida
tanta gaivota no ar
onde o grito vai ecoando
e as passadas são sentidas
em cada luz do luar
aqui e além um bulir
da folhagem desses prantos
há um ir e um não ir
réstias de outros encantos
e bem cá dentro de nós
soa o aviso em sirene
de que ficaremos sós
quando o corpo já só geme.
Há o compasso de espera
de esperar não sei o quê
um cheiro acre a Primavera
e já em nada se crê
num seguir sempre em frente
em busca do que se não vê
e o resto que se teme
está sempre perto da gente
mesmo que seja passado
na vitória de ser hoje
arremesso desalmado
já sem loucos para amar
de tudo o mais esvaziado
ou prestes a esvaziar.
Há um ponto de partida
outro haverá de chegada
neste contestar a vida
onde se aponta o inocente
na raiva sobressaltada
de ser tudo fantochada
tudo absolutamente.
3 de Abril de 2011
MÁRIO MATTA E SILVA
ABSOLUTAMENTE
Há um vaguear sem rumo
ir ao encontro do nada
no desvendar o absoluto
sem repouso de caminhada
um agigantar o peito
sem descanso e sem jeito
já cansado de fugir
neste ir mas nunca ir
em grande voo ou passada.
Há tanta esperança perdida
tanta gaivota no ar
onde o grito vai ecoando
e as passadas são sentidas
em cada luz do luar
aqui e além um bulir
da folhagem desses prantos
há um ir e um não ir
réstias de outros encantos
e bem cá dentro de nós
soa o aviso em sirene
de que ficaremos sós
quando o corpo já só geme.
Há o compasso de espera
de esperar não sei o quê
um cheiro acre a Primavera
e já em nada se crê
num seguir sempre em frente
em busca do que se não vê
e o resto que se teme
está sempre perto da gente
mesmo que seja passado
na vitória de ser hoje
arremesso desalmado
já sem loucos para amar
de tudo o mais esvaziado
ou prestes a esvaziar.
Há um ponto de partida
outro haverá de chegada
neste contestar a vida
onde se aponta o inocente
na raiva sobressaltada
de ser tudo fantochada
tudo absolutamente.
3 de Abril de 2011
MÁRIO MATTA E SILVA
ABSOLUTAMENTE
Há um vaguear sem rumo
ir ao encontro do nada
no desvendar o absoluto
sem repouso de caminhada
um agigantar o peito
sem descanso e sem jeito
já cansado de fugir
neste ir mas nunca ir
em grande voo ou passada.
Há tanta esperança perdida
tanta gaivota no ar
onde o grito vai ecoando
e as passadas são sentidas
em cada luz do luar
aqui e além um bulir
da folhagem desses prantos
há um ir e um não ir
réstias de outros encantos
e bem cá dentro de nós
soa o aviso em sirene
de que ficaremos sós
quando o corpo já só geme.
Há o compasso de espera
de esperar não sei o quê
um cheiro acre a Primavera
e já em nada se crê
num seguir sempre em frente
em busca do que se não vê
e o resto que se teme
está sempre perto da gente
mesmo que seja passado
na vitória de ser hoje
arremesso desalmado
já sem loucos para amar
de tudo o mais esvaziado
ou prestes a esvaziar.
Há um ponto de partida
outro haverá de chegada
neste contestar a vida
onde se aponta o inocente
na raiva sobressaltada
de ser tudo fantochada
tudo absolutamente.
3 de Abril de 2011
MÁRIO MATTA E SILVA
ABSOLUTAMENTE
Há um vaguear sem rumo
ir ao encontro do nada
no desvendar o absoluto
sem repouso de caminhada
um agigantar o peito
sem descanso e sem jeito
já cansado de fugir
neste ir mas nunca ir
em grande voo ou passada.
Há tanta esperança perdida
tanta gaivota no ar
onde o grito vai ecoando
e as passadas são sentidas
em cada luz do luar
aqui e além um bulir
da folhagem desses prantos
há um ir e um não ir
réstias de outros encantos
e bem cá dentro de nós
soa o aviso em sirene
de que ficaremos sós
quando o corpo já só geme.
Há o compasso de espera
de esperar não sei o quê
um cheiro acre a Primavera
e já em nada se crê
num seguir sempre em frente
em busca do que se não vê
e o resto que se teme
está sempre perto da gente
mesmo que seja passado
na vitória de ser hoje
arremesso desalmado
já sem loucos para amar
de tudo o mais esvaziado
ou prestes a esvaziar.
Há um ponto de partida
outro haverá de chegada
neste contestar a vida
onde se aponta o inocente
na raiva sobressaltada
de ser tudo fantochada
tudo absolutamente.
3 de Abril de 2011
MÁRIO MATTA E SILVA
EU NA CIDADE
Vivo numa cidade
Respiro numa cidade
Movo-me numa cidade
Conto as horas numa cidade
Somo e subtraio os dias numa cidade
Salto o engelhar dos anos numa cidade
Vou ficando caduco numa cidade…
Esta cidade é o meu mau pulmão
A minha insegurança
A inesgotável falta de vergonha
A perca de dignidade
A pérfida desilusão
A frígida desesperança
A agitação enfadonha
A corrupta precariedade
A insana hipocrisia…
Mas é esta a cidade que me acolhe de verdade
E quem sabe se é nela que terei meu último
dia!
29.07.2011
MÁRIO MATTA E SILVA
SER SURREALISTA
Se eu fosse surrealista
vertia imagens grotescas
experimentava jogos de palavras
exprimia-me rabiscando
de uma forma trocista
automaticamente brincando
com diabruras burlescas.
Se eu fosse surrealista
nas palavras quebrava a cabeça.
de tanto eu magicar
atirava-me em remoinho ao ar
em verdadeira loucura
sem vergonha nem honra futura
que me viesse salvar.
Se eu fosse surrealista
triturava e ensarilhava versos
descrevia horizontes perversos
sem nada retocar
dava-me na gana imaginar
tudo que é irrazoável
repelia o que é estável
e abraçava o luar.
Se eu fosse surrealista
diria barbaras verdades
desbocava as realidades
punha-me a gatinhar
balbuciando coisas sem nexo
gritava em tenebroso pranto
quebrava de vez o encanto
falando de politica e sexo.
Se eu fosse surrealista
por certo já era pedinte
esfomeado e ranhoso
do O’Neill seria ouvinte
sonhando o que é tenebroso
e morreria de um susto
seco e débil como arbusto
buscando o rimar jocoso.
Se eu fosse surrealista
soletrava Cesariny
abolia de vez as vogais
desenhava traços banais
e ria da desventura
decifrando com ternura
cada “cadáver esquisito”
e outras coisas que tais.
23. Agosto. 2011
MÁRIO MATTA E SILVA
quinta-feira, julho 29, 2010
DERROCADA

DERROCA Veio a tempestade arrancar-me ao espirito a quietude desejada na tarde sobresaltada feita de falsa verdade e o vento soprou e a noite não amainou cá dentro de mim enquanto o tudo do meu Ser ficou em nada num faz de conta de viver e numa amargura do não te ter jamais para mim. Foi a derrocada final na onda imensa da corrente e o sentir deprimente da derrocada de tudo aquilo que construimos acrescentámos, diluimos num sopro de desilusão. Nada ficou em cada mão nada durou para além do adeus e nem em socorro cairam os céus que cobrem nossas vidas. Horas perdida do tudo construído agora destruido em tempo agreste e feio por mim, por ti mau tempo de permeio o travo do sabor acre e amrgo da própria dor de nos desentrelaçarmos de nos despedaçarmos tão loucamente tão tristemente! A vida é afinal este vendaval feita de derrocada imensa de amargura intensa e de clamor pelo amor que recusámos num Mundo ruim onde poisámos nossos desejos nossas ternuras e beijos de que me despedi levando as horas sem ti nessa imensa intensa e insuportável dor. 29. Julho. 2010 |
quarta-feira, julho 14, 2010

HOMENAGEM SENTIDA AO POETA ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA Indefeso percorro meu caminho Na tristeza de te ver partir Num terminar de vida Atribulada e simples Feita de teus saberes poéticos Teus valores estéticos Teus galhofares de ironia sublimes. Sinto tua caminhada, amigo Numa grandeza morna E eloquente sabedoria Desfazendo cada sinuoso dia De tua vida imensa Tão plena quanto intensa Tão ávida de esperança, E vem-me à lembrança Nossos encontros de saber feitos Teus ensinamentos perfeitos E meu acatar do teu saber Desperto em horas infindáveis Nos versos tão moldáveis A essa tua mente criadora. E vou de livro em livro que escreveste Numa permanência de te haver Ali sentado, em palavras desfeito E um trinar de peito Que te enleva e suspende Em tudo que se entende De tuas nobres mensagens. Obrigado amigo Que no teu saber de hoje, valiosamente antigo Me estendeste a mão Num puro, franco e são Compreender de mim Tão forte assim Num jeito que ficou de nós. E vejo teus gestos Sinto tua voz E teu acto criador imenso Que inda agora não dispenso Porque te continuo a ter Aqui, sem pressas, a escrever, a escrever Nesse mar inesgotável de poemas ao qual também pretenso. 8 de Junho de 2010 MÁRIO MATTA E SILVA |
quinta-feira, junho 24, 2010
O REGRESSO

Venho de longe tentar-te no macio das mãos nos lábios nas ancas e nas pernas nesses gestos de ternura viris e sãos buscando a formosura onde ela está e me espera ou se confidencia no corpo que se dá inteiro ao gesto meigo de um jardineiro tratando de seu jardim; ai de mim se assim fora a qualquer tempo a qualquer hora no jeito arfando no peito de enfeitar de flores tratadas por amores num sem fim de beijos eu não mendigava o teu calor feito natureza. 24 de Junho de 2010 |
sexta-feira, abril 10, 2009

PORÉM …PORÉM A confusão impera Por aí num torvelinho Com ressaltos vários pelo caminho …PORÉM Não me conformo E venço o marasmo Que sempre regressa febril, em espasmo ….PORÉM O que busco é impertinência Renovada em sobressalto social E um fundo de percurso abismal …PORÉM Vou em frente Num tumulto assaz inquietante E aceito o que tenho de inconstante …PORÉM Tudo isto e não só Vive sufocado num apertado nó. 06.04.2009 MÁRIO MATTA E SILVA |

RECORTES E DIMENSÃO
Porque me tornei curioso
Querendo desvendar tudo
E ansioso
Para tudo entender – não sei.
Remexo em catadupas de livros
E vou multiplicando os recortes
De jornais e revistas que espalho
Em desalinho duvidoso
Desordenadamente pelas prateleiras atulhadas
Do escritório.
Porque me desfaço em desânimo
Cada vez que me recorto no espelho
Caprichoso
(maldizendo o tempo decorrido
desde a primeira ruga pronunciada
a recortar-me a face e a testa)
Ao que assisto num ai clamoroso.
Mas o certo é que esse desânimo
Vem de fora e estremece cá dentro
(recortado em receios e enlevos)
Até me agitar os neurónios
Tornando-os num emaranhado de prós e contras
Em desespero odioso.
Tudo suporto afinal, já não na esperança
De dias melhores feitos de velhice recortada em datas
E calendários
Em tom tenebroso
Mas na (quase) certeza
De que o passado quer justificar o presente
E se afasta cada vez mais do futuro
Que conscientemente
Não sei dimensionar.
05.09.2008
MÁRIO MATTA E SILVA
domingo, março 29, 2009
MEU LIVRO AGORA EDITADO
segunda-feira, março 23, 2009
ANIVERSÁRIO

MEU 68º ANIVERSÁRIO No dia do meu aniversário Escorrem alegrias Pelos dedos. Com a idade que avança O dia que se merece É afinal tão curto e tão longo Como os outros dias Envoltos em medos Onde se agiganta a esperança Meio estremecida, meio emaranhada Na respiração cadenciada. O eco dos “parabéns!” renova pouco Mas pode ser carícia radiante e animada Já que o sol, esse, volta a despontar vermelho e oco Mostrando este nascer de mais uma alvorada. No dia do meu aniversário Que interessa o tempo que faz Se nos gastamos irreversivelmente? Oh, patéticos pensamentos que traz A memória, lá de longe, do que se foi antes Passado que nos alimenta num rosário De eventos e folias Ou de afectos e melancolias Num encurtar de futuro. Definitivamente Neste dia, serei diferente dos outros dias. Ah, como se sente palpitar a vida Ora pró alto, ora batendo no fundo Em viagem que prossegue destemida Vigilante combate, não perpetuado mas fecundo. No dia deste meu aniversário Não basta abraçar-vos, olhar-vos de frente e saborear o mundo! 12 de Março de 2009 Mário Matta e Silva |
sábado, fevereiro 14, 2009

JORNADA CREPUSCULAR CRÓNICA DE: MÁRIO MATTA E SILVA JORNAL DA AMADORA CADA LIVRO É UM FILHO Ando por aqui, em jornada crepuscular, já lá vão uns anos, sofrendo sobressaltos com as palavras que alinho, cada vez que me disponho a alinhavar mais uma crónica para as páginas deste jornal. As palavras, as frases, as linhas, os parágrafos, têm de me sair ao sabor do meu estado de espírito, sem pensar talvez, no estado de espírito daqueles que depois me vão ler pacientemente. Mas, ao mesmo tempo, vou deslizando com as teclas do computador (por vezes, antes, com a caneta, numa ginástica mental mais saudável) por textos que componho em páginas, que, meticulosamente, se transformarão em livro. A poesia escorre, quando a maré cresce dentro de mim, nem sempre desfeita por ondas desventradas e agigantadas de um mar tenebroso que me desassossega, por vezes sacudida por uma aragem ténue e meiga. Com o emaranhar do verso, componho abstracções ou imagens de suposta realidade, na construção edílica de estrofes, que se vão arrumando em cada folha, tirando-lhe o que antes era imaculado e estéril. Quando começo a entender que o livro se está a formar, sinto-me gratificado e grito: vem aí mais um filho! Feliz de quem tem estas loucuras sãs, querendo fazer passar mensagens fluidas e cristalinas, numa aventura tantas vezes incompreendida. Basta que eu compreenda assim como compreendi um Antero, um Camilo Pessanha, um Cesário Verde, um Nobre, um Pessoa, um José Régio, um Mourão Ferreira, um Couto Viana… ou tantos outros, quase anónimos, que nos chegam às mãos, nas imensas leituras que as manhãs crepusculares vão trazendo e as jornadas da noite mo permitem. Na azáfama da escrita, só mais tarde me lembro de revisões, impressão, editoras, todo esse trabalho cirúrgico, gélido e confuso, necessário para “parir” este filho. Vou empilhando as folhas, saboreando as páginas, relendo cada linha, emendando no compasso das coerências de cada instante e de cada angustia, desenhada em ses: se isto fosse assim, se lhe mudar aquilo, se lhe colocar mais qualquer coisa, se riscar aqui, se emendar ali….se…se…se. Descontentamento descontente, para que tudo dê certo! Exigência na minúcia de cada passo à frente. E o livro não vê o seu fim. A gestação é longa até à exaustão. Mas o livro ganhará forma na trama do seu conteúdo, Grito contra o tempo, contra a urgência, a impaciência, a descrença e a ousadia. Escrever mais um livro! Para quem? Para o Mundo, claro! Para todos em geral e para ninguém em particular! Mas que seja bonito, saudável, límpido, agradável ao toque e à leitura. Que seja também apreciado e aplaudido! Quantos autores morreram sem verem obra feita, consultada, criticada, atirada a uma posteridade magoada, sem a partilha de uma glória ou de uma ventura florida e terna! Quanta poesia póstuma deixando o timbre da ansiedade desfeita de cada autor defunto? Depois, quanta artimanha e azáfama na ausência de cada autor, por vezes naquela ansiedade de um aproveitamento ignóbil e leviano, sempre que se desmonta um trabalho de forma póstuma, sem respeito pelo seu autor. Arte sofre! E quando vem a penumbra crepuscular logo se avança mais umas linhas, umas páginas… e vai-se compondo a obra, por muito singela que seja. Os sintomas de afectividade vão-se manifestando ao sentir o livro avançar, tomar corpo. Depois é nascer enlevado e feliz. Folheado, lido, sentido, manuseado. É preciso coragem, sensibilidade e amor… porque um livro é como um filho, bem tratado e cá dentro muito acarinhado. Não tarda vai-me nascer mais um livro e tudo foi vivido desta forma, numa vertigem quase crepuscular. 22.01.2009 |
QUERO UM ANO FELIZ

sexta-feira, fevereiro 06, 2009

VOU COM AS LUAS Andam as luas troçando Do meu jeito de ansiedade Que tropeça sem maldade No mal que o vem animando. Trocam-se as luas brincando Com as minhas emoções Dando luz às impressões Da impressão embarcando. Ao vislumbrar a Lua nova Enchi-me de novidades Fiz-me feliz e de vaidades Enchi este ar de trovas. De lua em lua saltei Qual delas mais desvairada E sua cor alaranjada Em sonhos eu transformei. Mudando a lua, mudei-me Na bruma da realidade P’ra viver de felicidade E no agora eternizei-me. Cada luar a angústia traça Meu caminho impertinente Que duma forma insistente Traça a graça e a desgraça. Fevereiro 2009 MÁRIO MATTA E SILVA |
PARA TE CANTAR VENEZA1
VENEZA
Aqui eu me encontrei
Feliz me encantei
De tanto te admirar
Por cá não me demorarei
Mas de ti eu levarei
Tua formosura sem par.
2
VENEZA
Enfim tornada realidade
Sonho que levará à saudade
De tanto que por ti suspirei
Para conhecer tua verdade
Em tanta História que te invade
Em tantos Museus por onde andei.
3
VENEZA
Das tuas águas, canais
Da força das Artes monumentais
Gôndolas e alegres gondoleiros…
E posso cantar-te mais
Dos Santos que festejais
No bulício de milhões de forasteiros.
4
VENEZA
Minha felicidade, minha paixão
Vibrando em meu coração
Batendo cheio de ternura
E sei que ao deixar teu Sol fica a devoção
De que te tornaste na minha gratidão
E te depositarei numa moldura.
5
VENEZA
Tão religiosa e tão profana
Numa vaidade “mascarada” e mundana
Que se espelha no luar…
Ai, tantas sensações de uma semana
Na tua musicalidade leviana
No ambiente cálido que me deste para AMAR.
VENEZA, 25.07.2006
Mário Matta e Silva

JORNADA CREPUSCULAR CRÓNICA DE: MÁRIO MATTA E SILVA (Jornal da Amadora) OUTRAS CIGARRAS E OUTRAS FORMIGAS 2009, um ano que ainda há pouco começou, cheio de maus presságios a prometer um Inverno bem frio e bem chuvoso. O crepúsculo nem parece o mesmo, sem aquele conjunto de cores que faz a transição para a noite cerrada, na maravilha das constelações em jornada celeste num azul doce. Nada disso. Os dias já vão escuros, frios e húmidos demais para mostrar essa despedida de sóis radiosos e mornos e as noites enluaradas. Neste desaconchego de um rigoroso Inverno não faltam as cigarras e as formigas, umas cantando outras labutando. Em tempo de recessão não admira porém que sejam outras as cigarras e outras as formigas a esgueirarem-se pelo ruído dos noticiários ou da comunicação social em peso, na guerras das audiências (TV e rádios) e das compras (jornais, revistas…) porque o seu poder de persuasão (mais do que de entretenimento) é tão agressivo que nos trás, diariamente, as maiores brutalidades que o País e o Mundo contém, em si mesmo, esvaindo-se em guerras, em assassinatos, em desavenças, em descrenças, em ódios, em calúnias, em subornos, em roubos, em falcatruas, em doenças, em denúncias, em fraudes, em desemprego, em ruína… Por outro lado, esse mesmo dia-a-dia mostra-nos bem falantes, opiniosos, malabaristas, astuciosos, tribunos, defensores de criminosos alegando inocência, prevaricadores procurando impunidades, ladrões e criminosos com direito a liberdade, poderes frouxos, políticos audazes a querer convencer os contribuintes, os arautos da cidadania em bicos dos pés em arremessos de autoridade, os ciosos, os traficantes, os arruaceiros, os gananciosos, os palavrosos… que são, sem sombra de dúvida essas outras cigarras, cantando, botando discurso, fazendo batota. E quando retomo a jornada crepuscular, olhando ao alvorecer a janela, que vejo eu: o corre-corre de quem trabalha a sério (e não à séria) galgando cedo da cama empenhados na garantia de um emprego, que cada vez está mais em perigo. E lá vejo eu os das obras (privadas ou públicas) que lá vão tendo trabalho, os camarários, os professores, os dos serviços de saúde, (indo muitos dos nossos para o estrangeiro e os da América Latina e Espanha a virem para os nosso pais) os das zonas portuárias, os pescadores, os dos trabalhos agrícolas, os dos serviços, os das fábricas (que ainda vão laborando) os do comércio (que vai resistindo) os da administração pública em geral, etc….tudo gente que ainda vai tendo o seu posto de trabalho, o seu ganha-pão, a sua esperança de não falhar os seus empréstimos, as suas prestações…e logo penso onde estão esses milhares e milhares de desempregados, que todos os dias aquela mesma comunicação social mostra com avidez e pormenor, essas vitimas de falências (muitas vezes fraudulentas) esse grupo de gente, que vai todos os dias engrossando, vitima das maiores desgraças e de muitos erros de administração e de poder, que se vê sem salários, à mingua de parcos subsídios todos os dias anunciados pelos políticos, chorando sem fé a sua desdita… estas são as novas formigas. As que não se guindam, filhas da crise, nos ares pestilentos da prosápia, que sofrem por terem perdido o seu trabalho ou por quererem começar a trabalhar! Essas pessoas que já nem sabem em que mundo vivem, que para eles não é capitalista, nem socialista… é tão somente avaro de felicidade, arbitrário na escolha dos abandonados à má sorte, dos sem força, sem ânimo, sem poder. Abandonadas, entregues ao cinismo dos que disputam eleições, dos que decidem, dos que se emproam… essas mesmas, que querem trabalhar, que querem cumprir os seus compromissos, que querem criar os seus filhos, que querem uma vida honrada e feliz, são por certo essas outras formigas…entregues ao livre arbítrio dessas outras cigarras ruidosas, arrogantes, mesquinhas. E todos os dias a comunicação social lança estas miseráveis noticias de desemprego, falando-nos nessas outras cigarras e nessas outras formigas… porque todos os dias há crepúsculo em tempo de recessão! 3 de Fevereiro de 2009 |
JORNADA CREPUSCULAR CRÓNICA DE MÁRIO MATTA E SILVA JORNAL DA AMADORA ATENÃO: PORTUGAL ESTÁ EM ALERTA CINZA-ESCURO Ao voltar da minha jornada pelo crepúsculo tudo me parece estar a ficar em alerta cinza-escuro. Este não é um alerta meteorológico mas sim económico-político. Alerta por estarmos em ano de eleições. Já vão aquecendo as turbinas e ganha-se velocidade para as acostumadas promessas ao povo, de todos os lados e quadrantes, para ver quem ganha votos. Porém o crepúsculo desce manso e mostra-nos sem subtilezas as manhas que vão por aí em acaloradas retóricas que fazem pasmar qualquer incauto ou menos avisado, que não saiba lidar com a distinção precisa entre o falso e o verdadeiro. O partido que nos governa vai fazendo o seu cozinhado, misturando partido político e Governo, para darem estatísticas animadoras, promessas absurdas, tudo no maior dos alaridos. Ai desacreditada “política de pacotilha”, como já lhe chamava Ramalho Ortigão, nos finais do século dezanove, O Parlamento anda todo alvoroçado, com os deputados do poder e os da oposição engalfinhados na maior das “guerras de capoeira” da legislatura. Toca a pedir maiorias absolutas e a acenar com eventos à “Magalhães”, obras públicas e subsídios disto e daquilo. Toca a atirar contrapropostas ao governo, das bancadas da oposição, em golpes de rins de malabaristas. Vamos deitar mão dos sofismas tão apetecidos dos políticos para manobras de persuasão. Discursos acalorados e promessas bisonhas não irão faltar dentro ou fora do hemiciclo. E esta malvada da recessão poderá agravar-se por influência de uma indefinição politica que um ano de eleições sempre traz. A economia agrava-se mais no nosso país que noutros de maior importância e maior capacidade económica, mesmo que a braços com uma mesma recessão. Mas quem nos faz ver isso? Os deficits vão mostrando cenários alarmantes e ao mesmo tempo o desemprego vai-se alastrando, arrastando uma crise social de muita gravidade. Os orçamentos são geometrias erradas dentro de uma conjuntura desfavorável e o mais pequeno, ou mesmo a classe média, vão por certo sentir mais tão prolongada e profunda crise económica. Neste quadro cá está o “alerta cinza-escuro” que não permite birras de políticos a favor de políticas erradas que a confrontação partidária irá arrastar neste ano de 2009, ainda agora iniciado. Ainda vamos em Janeiro e já tanto se promete, em descarado tom eleitoralista, sem se pesar bem dos seus efeitos na recessão que tanto nos penaliza. Esta é uma jornada de incertezas, de incredulidades, de confrontos, de erros, de insucessos, em busca de votos em três actos eleitorais no mesmo ano, em ambiente hostil de crise económica profunda. Todos os erros serão graves suicídios para a estabilização dada a nossa imaturidade sociopolítica. E volto ao crepuscular, em tarde invernosa, onde o frio da jornada nos lança o alerta de um Outono quente, envolto em combates políticos de grande envergadura e desperdício, o que vale pela rotatividade tão saudável à democracia. Soa assim um alerta à recessão acompanhada dos exorbitantes gastos com os três actos eleitorais que aí vêm, sem possibilidade de travar tudo isto. Por fim, a mesma comunicação social que nos mostra o encerramento diário de empresas, os salários em atraso, os despedimentos, a distorcida avaliação de professores e de alunos, as greves, os assaltos, os crimes, a pobreza, os sem abrigo….mostrará também os discursos, as promessas, as inaugurações, as manobras de sedução, as palmas, as trompetas, os bombos, as bandeiras dos comícios por esse país subalimentado e pálido porque afundado em crises sucessivas, por arbitrariedades da classe política, por rombos bancários, por fragilização da justiça e dos cuidados de saúde, por salários baixos, por pensões de miséria… A banda dos comícios passará, inundada de abraços, de beijos, de promessas, de astúcias. Como estaremos mais falidos daqui a um ano! Falidos politica e economicamente… falidos na honra e no orgulho… falidos na esperança de dias melhores. Tudo isto nasce e cresce em cada crepúsculo no adiar da nossa exaltação patriótica que nem as transferências dos emigrantes podem enaltecer, num choro de vergonha que tantas famílias vão sentindo nesta escalada de desempregados. Que nos restem uns crepúsculos feitos de muita, mas muita, paciência, para aguentarmos todo este infortúnio vestido de cinza-escuro… 19 de Janeiro de 2009 |
terça-feira, dezembro 18, 2007
SER PAI NATAL
ANDEI CARREGADO
FELIZ POR DISTRIBUIR
O QUE TRAZIA GUARDADO
NO AMOR QUE SEI SENTIR!
FUI DANDO DE TUDO O MAIS
DO QUE POSSO E DO QUE FAÇO
DANDO O QUE DERAM MEUS PAIS
TODO O BEM QUE COBRE O ESPAÇO!
RONDEI AMIGOS E NÃO SÓ
MOSTRANDO QUANTO OS RESPEITO
DESATANDO SEMPRE O NÓ
DOS SEM COMIDA E SEM LEITO!
ESPALHEI SEMPRE A SINCERIDADE
QUE P'LO NATAL SE IMPLORA
E FIZ DA ALEGRIA DA MOCIDADE
TRISTEZAS QUE SINTO AGORA!
COMBATI A FALSIDADE INSANA
DE MUITOS QUE P'LOS NATAIS
E EM CADA MES OU SEMANA
NÃO PODEM SER MEUS IGUAIS!
PEDI A PAZ COMO TANTOS
TIVE AMOR E GRATIDÃO
MAS É AO CHORO, AOS PRANTOS
QUE EU ESTENDO A MINHA MÃO!
sou por um NATAL
todo o ano... sempre!!!
CRÓNICA A BOCAGE
SÓ NAS MEMÓRIAS TE ENCONTRO BOCAGE
Vem de veludo vestido o crepúsculo que desce sobre nós em traços de ouro fino, em ondas de volúpia, e vai escurecendo tão lentamente que o sol se apressa a esconder atrás de uma nuvem mais aveludada ainda e mais macia. Parado, à porta de um café conhecido de Lisboa, imobilizo ali comigo a memória, que arrasta tempos, datas, pessoas, que o passado devorou, sem comiseração dos nossos semblantes pesados e das rugas insistentes, que se cruzam na pele que o tempo crestou. Tinha acabado de ver de novo a estátua imponente de Bocage, ali dentro do Nicola, e este imortal poeta de Lisboa desventrada e crua, traça-me caminhos percorridos, com a gravação a ouro velho do seu nome, que em tertúlias poéticas, lança o brilho dos seus cristalinos desabafos, em poesia, e sempre, sempre aquele murro no estômago feito de polémicas, que em sua memória sabem a liberdade. O vento sopra fino e áspero nas minhas faces enquanto se dá a jornada crepuscular que me leva até a esse poeta de olhos doces, gingão mas altamente arrojado. Muitos dizem que o conhecem, mas vão-lhe buscar apenas a primeira faceta, a de gingão, esquecendo-se que foi dos primeiros, que, arrojadamente, em pleno Despotismo (Absolutismo) arrancou gritos de apelo à liberdade, à igualdade, à fraternidade. O nosso Vate Sadino, como não se esquece de lembrar a amiga Maria América Miranda, trás em uníssono aqueles que conhecem bem o Bocage dessa estirpe de homens que antes quebrar que torcer…Ouve-se um trovão, aclara-se o fim de tarde com um relâmpago breve mas respeitável, e chove miudinho, em pleno tombar da bruma crepuscular… então ocorre-me a tertúlia no átrio do Teatro D. Maria II, as discussões que dela saiam, os poemas que se diziam a meio das tardes, sempre na euforia dos enaltecidos rompantes bocageanos. Rio-me ao puxar pela memória, pois nela registei também os espectáculos, em nome homenagem a Bocage, e organizados por essa mesma tertúlia, no padrão dos descobrimentos, que traziam o Vate Sadino pelos caminhos da decência, enquanto, pelas livrarias e bibliotecas continuava a ver coisas horrorosas sobre pouco mais do que as anedota do mesmo Poeta (diga-se até que algumas lhe foram convenientemente atribuídas). Velhacarias, penso eu, de quem só sabe ver o lado escuro dos sobejados dias que caem, que nem morfeus, nos braços tépidos das diáfanas crepusculares de Setembro (mês em que Barbosa du Bocage nasceu). Passaram anos, tempos que nos separam ou aproximam, em grupos de debate, tertúlias de poesia, várias e animadas, e voltamos de quando em vez a esse romântico, arremessado à devassa pela maldade, dos que fazem dessa figura delgada e pálida, exaltado e corajoso, metido a ferros, por apelo às liberdades, as piores acusações. Ainda não há muitos meses uma série televisiva dava, sobre a vida de Bocage, o golpe de misericórdia, não só nesse exemplar poeta, mas até numa sociedade inteira, dos finais do Século XVIII, mostrando só depravação, imoralidade, ruelas de entulho, de bêbados, de prostitutas, de devassos etc… como se fossemos crivados por um certo fado feito de “orgulho” balofo, enfiado na imundice de Lisboa. Que foi dos primeiros arautos do romantismo e das liberdades não se falou, e nem se enalteceu o motivo mais próximo que esteve na base das acusações que lhe foram feitas por Pina Manique, até o encarcerarem no Limoeiro. Só nestas memórias te encontro Bocage, num abraço fraterno, orgulhoso de ti! O crepúsculo, esse, visto também pelo seu lado menos risonho, é um manto aveludado mas escuro que nos engole…e a maldição dos homens também! 29.11.2007 MMS
sábado, novembro 17, 2007
UM POEMA MEU DESTE LIVRO
1
Que sensações
deste mar
que me sussurra baixinho
num jeito de me embalar
em gostoso torvelinho.
2
Que magias
trás o mar
ao meu corpo desejoso
numa ânsia de chegar
ao teu doce alvoroço.
3
Que cânticos
vêm do mar
em ondas de branda altura
onde espraias o ollhar
onde agitas a ternura.
DA LILIANA JOSUÉ
(do mesmo livro)
GOSTAR
Gosto de te ter por perto
Ainda mais do teu sorriso
Bem desperto
Meu paraíso
Preenchendo este deserto
De paixão e amor sem siso
Encoberto
E sem aviso
Que por ti foi descoberto
No araque de improviso
Em acto esperto
Bem preciso
Não tendo errado ou certo
Ignorando o impreciso
Dom secreto
Nada indeciso.
sexta-feira, novembro 16, 2007
LIVRO DE POESIA
NOVO LIVRO DE POESIA
sábado, dezembro 23, 2006


O POETA E O NATAL
Nasce a palavra, ela vem
No sopro de cada instante
Não interessa o que contém
Mas está cá fundo
Distante
Em tudo o que respira o Mundo
Num jorrar incessante
Ou num só pensamento, mesmo que dilacerante.
Há no ventre de cada Mãe
A vida que nela contém
Da nossa vida
Numa alusão incontida
De Natividade
E reza-se a cada divindade
Porque é a Mãe a única que traz verdade
Quando na sua palavra pura
Feita de candura.
Rasgam-se cinismos
Tapam-se abismos
Afogam-se vinganças
E removem-se esperanças.
Mas dar as mãos por um só dia
Porque é Natal?
Isso é cobardia
Um mal trocado por outro mal
Uma prenda envenenada
Mais nada!
A amizade verdadeira
Essa, vem nas palavras do Poeta!
É a que dura a vida inteira
Porque certeira
Em linha recta.
E só as duas palavras unidas
Têm sentido:
A do Poeta e a da Fé.
As duas se manterão de pé
Não diluídas…Uma vida… gerando vidas!
NATAL de 2006


Nocturno I
Que trazem afinal
as estrelas
cintilantes, belas
descendo dessa abóbada
em espiral?
Que traz a noite
no seu manto de incertezas
de praguejos e de rezas
em brando açoite
de ar estival?
Talvez que a escuridão
traga consigo rostos tristes
pálpebras cerradas
segredos que descobrem madrugadas
a mostrarem o quanto resistes…
Nocturno II
Quando vou ter contigo a altas horas
levo um largo sorriso
claro e gentil
até à doçura do teu olhar
escondendo as angústias
e as tristezas que me consomem
para que as estrelas tomem
o brilho da paixão
que te tenho tão febril
e a vá depositar
no teu colo ansioso
em forma de lua nova…
A noite então se renova
e me enrolo no teu suave respirar.
Nocturno III
Na forma crepuscular
do verbo amar
sinto-me crispar
em luta com a vida
numa saudade sentida
do tempo que passou:
do que mudei, do que mudou.
Meus olhos sabem chorar
a distância vencida
que não sei ocultar!
Nocturnos
pensamentos
em que me debato
sem constrangimentos;
no meu retrato
que olho por momentos
estou inda novato
e nesse sorrir
hoje baço
parecia ainda não sentir
este cansaço
feito no amor, na amizade
mas tão nocturno na idade!
acabado em 19.12.2006
noutratitude
Epopeia Dantesca
(à Divina Comédia de Dante Alighieri 1289- 1321)
1
Põe-se todo o Mundo sangrando
de inaudíveis superstições
ao reduzir-nos às crenças, ignorando
nossas próprias sensações.
O Homem na palavra vai desvendando
o que lhe ditam tais falsas convenções
e mais do que os próprios Testamentos
se engendram metafísicos eventos!
2
Em Dante a forma e a mensagem
têm, no seu tempo, essa força divina
num ímpeto poético de coragem
que a todos se espelhou bem na retina.
Sobra no abismo da sua imagem
o que se esvai na palavra cristalina.
Assim, tudo o que cresceu na vontade humana
se tornou em verdade mais profana!
3
Três dimensões, diria, de evocação
sobre uma árvore frondosa de sentimentos
em resignados prantos de falsa devoção
que levou a dolorosos sofrimentos.
Daí o Inferno, informe, em erupção
e o Purgatório, abismo de lamentos.
Para tudo levar em bom juízo
à gratidão de se alcançar o Paraíso!
4
Oh, limbo de ingénuos, longo caminho
que as almas percorrem sonolentas
apelando ao humano desalinho
e à Paz feita de guerras violentas.
Por tudo que a terra tem de descaminho
se reduz em utopias e tormentas.
Glórias tantas dos tempos já passados
aventureiros loucos, humilhados!
5
E se Dante vai subindo na montanha
buscando o Paraíso lá no cume
trás firme na palavra a artimanha
de que quem peca será deitado ao lume.
Assim nos deixa essa ardilosa senha
que tão bem numa comédia se assume.
Virão depois, em tempos outros, aplaudir
que o AMOR é que é obra p’ra cumprir!
6
Oh ditames terrenos tão penalizantes
que no poder p’la força mostram dureza
negando as virtudes, de forma delirante
e esses dons mais altos da Natureza.
Como os Deuses no Empírio, vigilantes
se tornaram num só Deus feito pureza!
Por isso, tantas gerações, longo passado
a Divina Comédia têm renegado!
7
Como se o mal gladiasse o bem
numa maquinação da eternidade
por ganâncias se perde o que se tem
e por orgulho se arrasta a falsidade
nada há de feliz no Mundo ou nesse Além
que a própria existência de verdade.
Que pecados mortais, que ética divina
cobre de lama cad’alma cristalina?
8
Com Virgílio e Boccacio, no passado
e com Gil Vicente, Camões e outros mais
ficou a mensagem perspicaz do que é pecado
e dos castigos funestos pouco originais.
Na vil Inquisição se é torturado
por abusos em claustros, catedrais.
Mas em delírios não se neguem as Escrituras
qu’elas fazem parte de muitas Culturas!
9
A Bíblia, a Tora, o Alcorão que vingaram
na Fé que escorre p’las faces dos crentes
são fontes da História Humana que se fixaram
de forma importante quando coerente.
Foi nos Cristãos Novos que se criaram
caminhadas tortuosas nunca inocentes…
E nesta liberdade tirada à mente humana
fortaleceu toda a ideologia mais profana!
10
Agigantou-se a Reforma Cristiana
contra o dogma e a imagem ilusória
e agora toda a gente se perde e se ufana
de se corromper para atingir glória.
Oh caminhos da ciência, obra insana
que levou a mulher a entrar na História.
Haverá coisa mais rica, mais sublime
do que não ter já o sexo como crime?
11
Em Dante, grande altura e grande abismo
onde se sobe ou desce fraco como um vime
até que a força da Fé, no próprio Cristianismo
arrasará tudo o mais que nos oprime.
Que muito há por aí que é só cinismo
fazendo da corrupção coisa sublime.
E valha-nos o nosso equilíbrio sensorial
porque existirão sempre o Bem e o Mal!
F I M
Lisboa, 25.06.2006
noutratitude
Epopeia Dantesca
(à Divina Comédia de Dante Alighieri 1289- 1321)
1
Põe-se todo o Mundo sangrando
de inaudíveis superstições
ao reduzir-nos às crenças, ignorando
nossas próprias sensações.
O Homem na palavra vai desvendando
o que lhe ditam tais falsas convenções
e mais do que os próprios Testamentos
se engendram metafísicos eventos!
2
Em Dante a forma e a mensagem
têm, no seu tempo, essa força divina
num ímpeto poético de coragem
que a todos se espelhou bem na retina.
Sobra no abismo da sua imagem
o que se esvai na palavra cristalina.
Assim, tudo o que cresceu na vontade humana
se tornou em verdade mais profana!
3
Três dimensões, diria, de evocação
sobre uma árvore frondosa de sentimentos
em resignados prantos de falsa devoção
que levou a dolorosos sofrimentos.
Daí o Inferno, informe, em erupção
e o Purgatório, abismo de lamentos.
Para tudo levar em bom juízo
à gratidão de se alcançar o Paraíso!
4
Oh, limbo de ingénuos, longo caminho
que as almas percorrem sonolentas
apelando ao humano desalinho
e à Paz feita de guerras violentas.
Por tudo que a terra tem de descaminho
se reduz em utopias e tormentas.
Glórias tantas dos tempos já passados
aventureiros loucos, humilhados!
5
E se Dante vai subindo na montanha
buscando o Paraíso lá no cume
trás firme na palavra a artimanha
de que quem peca será deitado ao lume.
Assim nos deixa essa ardilosa senha
que tão bem numa comédia se assume.
Virão depois, em tempos outros, aplaudir
que o AMOR é que é obra p’ra cumprir!
6
Oh ditames terrenos tão penalizantes
que no poder p’la força mostram dureza
negando as virtudes, de forma delirante
e esses dons mais altos da Natureza.
Como os Deuses no Empírio, vigilantes
se tornaram num só Deus feito pureza!
Por isso, tantas gerações, longo passado
a Divina Comédia têm renegado!
7
Como se o mal gladiasse o bem
numa maquinação da eternidade
por ganâncias se perde o que se tem
e por orgulho se arrasta a falsidade
nada há de feliz no Mundo ou nesse Além
que a própria existência de verdade.
Que pecados mortais, que ética divina
cobre de lama cad’alma cristalina?
8
Com Virgílio e Boccacio, no passado
e com Gil Vicente, Camões e outros mais
ficou a mensagem perspicaz do que é pecado
e dos castigos funestos pouco originais.
Na vil Inquisição se é torturado
por abusos em claustros, catedrais.
Mas em delírios não se neguem as Escrituras
qu’elas fazem parte de muitas Culturas!
9
A Bíblia, a Tora, o Alcorão que vingaram
na Fé que escorre p’las faces dos crentes
são fontes da História Humana que se fixaram
de forma importante quando coerente.
Foi nos Cristãos Novos que se criaram
caminhadas tortuosas nunca inocentes…
E nesta liberdade tirada à mente humana
fortaleceu toda a ideologia mais profana!
10
Agigantou-se a Reforma Cristiana
contra o dogma e a imagem ilusória
e agora toda a gente se perde e se ufana
de se corromper para atingir glória.
Oh caminhos da ciência, obra insana
que levou a mulher a entrar na História.
Haverá coisa mais rica, mais sublime
do que não ter já o sexo como crime?
11
Em Dante, grande altura e grande abismo
onde se sobe ou desce fraco como um vime
até que a força da Fé, no próprio Cristianismo
arrasará tudo o mais que nos oprime.
Que muito há por aí que é só cinismo
fazendo da corrupção coisa sublime.
E valha-nos o nosso equilíbrio sensorial
porque existirão sempre o Bem e o Mal!
F I M
Lisboa, 25.06.2006
terça-feira, novembro 28, 2006
NA ESQUINA DOS ANOS
A voragen
tomou conta de nós
no gesto e na voz
a ecoar na aragem
que nos fustiga
lenta e antiga.
As horas batem
ordenadas
febris, enervadas;
as angústias partem
e voltam em remoínhos.
Corações em desalinho.
Os dias sedentários
não têm horários
em calendários ancestrais;
as mortes são banais
como as flores a abriri
os lábios a sorrir.
A poluição
vem em quadrilhas
não em seis-tilhas;
a terra é um caldeirão
que estremece
porque magoada, aquece.
Na esquina dos anos
sobram erros, enganos
estilhaçando o Ser
para se morrer
sabe-se lá de que forma
sem estatuto ou norma.
27.11.2006

(ao Surrealismo e para Mário Cesariny de Vasconcelos - falecido com 83 anos, ontem 26.11.2006)
terça-feira, novembro 21, 2006
HÁ UM DESEJO NESTE LUGAR
forte que me ronda
a mente
que num lampejo
te busca e sonha
não demente.
Há um desejo
que me consome
quando vem
desaustinadamente
e permanece, como a fome
que se tem.
Há um desejo
matraquiando forte
no meu querer
e no não querer a morte
por sorte
sei que te vou ter.
Há um desejo
aqui neste lugar
neste pontinho ínfimo do mundo
mais do que profundo
dentro do meu ser
para de ti não mais me apartar!
em Aldeia de Teixeira
(Caldas da Rainha)04.11.2006
terça-feira, outubro 24, 2006
NOUTRO CULTO
noutratitude
NOUTRO CULTO
Encontrei dançares, cantatas
luzes, alegria
e em nosso redor
foram horas fartas
de arte feitas
pela noite fora
autentica magia
que pela madrugada se deita.
Venho dos museus
de Madrid sempre em festa
onde me deslumbrei
pelos altos sentimentos
de escultores, pintores
famosos talentos.
De tudo que me resta?
De Espanha a festa
e toda a arte na minha alma
num desejo feito de calma
e de atrevimentos
povoando meu interior
sobressaltado
entre um Miró e um Ser Alado
ou ventre de mulher
talvez Deusa clássica
que se gosta de ver.
Noutro culto te busquei
mulher real
indo na tua pele sabor a sal
pelos sentidos alertado
depois a teu lado
me deitei
na Arte... e na tua
febril e nua
consolado!
23.10.2006
segunda-feira, junho 19, 2006
noutratitude
A PAIRAR SOBRE VÓS
OLHOS
Como nos teus olhos eu percebo a tua alma antes de conhecer teu corpo. Por eles desço, me envaideço e enlouqueço.
São sempre esses olhos que os meus perscrutam ladinos tentando lá no fundo saber se é o teu mundo que eu mereço.
LÁBIOS
Quem te desenhou esses lábio de forma tão delicada e sinuosa?
Mais do que teus lábios eles são nos meus húmidas e vermelhas pétalas de rosa!
OMBROS
Porque te roliçaram assim os ombros desse aveludado tão excitante?
Ombros rebeldes onde vou pairando inquieto até prosseguir viagem no teu corpo delirante!
PEITOS
Se a pele de teus peitos é de cetim em forma de pirâmide é por certo de cetim teu corpo inteiro;
E esses dois róseos botões que tens no cetim são o desejo que tenho mais incontido e traiçoeiro!
PÚBIS
Que arquitecto engenhoso te desenhou a compasso essa púbis de forma triangular?
Egípcia geometria que me tenta e me engole sempre que meu corpo no teu se vaiafundar!
PERNAS
Quem te moldou genialmente essas pernas tão bem torneadas?
Pernas que entre as minhas pernas se tornam mornas, felinas, endiabradas?
PELE
Deixa a tua pele ser a minha. Em ternuras enlaça as duas num nó.
Que a tua pele sem a minha viverá sempre triste e só!
2001.09.02
do meu livro "NUNCA VOS DIREI TUDO" pg 183
segunda-feira, maio 01, 2006
domingo, abril 30, 2006
noutratitude

domingo, abril 16, 2006
noutratitude
Segue uma poesia do meu primeiro livro "NUNCA VOS DIREI TUDO" ed. 2002
EU COMIGO
Cá estou eu de novo.
Eu comigo.
Comigo unicamente.
Ausente inda que presente.
Um querer sentir que me renovo
Neste dar-me tão antigo!
Cá estou de novo... noutro apertado nó
Num diálogo sem inimigo
Olho-me, sinto-me... e só
Viajo no tempo e louvo
O facto de ser eu o meu melhor amigo
Mesmo quando me torno em meu próprio estorvo
Lá estou eu de novo numa labiríntica encruzilhada
Penso no que procuro e ainda não encontrei
Tropeço e avanço neste acidentado caminho!
Aturo-me, agrido-me, revolto-me... eu sei...
Há dias em que o mundo é uma grande laranja vazia... sem nada
E nele me refugio, só, comigo... gemendo em verso mas baixinho...
Bela Vista, Moçambique, 1972
Depois virão mais do 2º livro "... E VOU NOS CÂNTICOS DA TERRA" E DO 3º e último - " com eles NOUTRA ATITUDE"
APAREÇAM... PARTICIPEM

