

Nocturno I
Que trazem afinal
as estrelas
cintilantes, belas
descendo dessa abóbada
em espiral?
Que traz a noite
no seu manto de incertezas
de praguejos e de rezas
em brando açoite
de ar estival?
Talvez que a escuridão
traga consigo rostos tristes
pálpebras cerradas
segredos que descobrem madrugadas
a mostrarem o quanto resistes…
Nocturno II
Quando vou ter contigo a altas horas
levo um largo sorriso
claro e gentil
até à doçura do teu olhar
escondendo as angústias
e as tristezas que me consomem
para que as estrelas tomem
o brilho da paixão
que te tenho tão febril
e a vá depositar
no teu colo ansioso
em forma de lua nova…
A noite então se renova
e me enrolo no teu suave respirar.
Nocturno III
Na forma crepuscular
do verbo amar
sinto-me crispar
em luta com a vida
numa saudade sentida
do tempo que passou:
do que mudei, do que mudou.
Meus olhos sabem chorar
a distância vencida
que não sei ocultar!
Nocturnos
pensamentos
em que me debato
sem constrangimentos;
no meu retrato
que olho por momentos
estou inda novato
e nesse sorrir
hoje baço
parecia ainda não sentir
este cansaço
feito no amor, na amizade
mas tão nocturno na idade!
acabado em 19.12.2006
Sem comentários:
Enviar um comentário