sexta-feira, abril 10, 2009










PORÉM


…PORÉM
A confusão impera
Por aí num torvelinho
Com ressaltos vários pelo caminho

…PORÉM
Não me conformo
E venço o marasmo
Que sempre regressa febril, em espasmo

….PORÉM
O que busco é impertinência
Renovada em sobressalto social
E um fundo de percurso abismal

…PORÉM
Vou em frente
Num tumulto assaz inquietante
E aceito o que tenho de inconstante

…PORÉM
Tudo isto e não só
Vive sufocado num apertado nó.


06.04.2009
MÁRIO MATTA E SILVA






RECORTES E DIMENSÃO


Porque me tornei curioso
Querendo desvendar tudo
E ansioso
Para tudo entender – não sei.
Remexo em catadupas de livros
E vou multiplicando os recortes
De jornais e revistas que espalho
Em desalinho duvidoso
Desordenadamente pelas prateleiras atulhadas
Do escritório.

Porque me desfaço em desânimo
Cada vez que me recorto no espelho
Caprichoso
(maldizendo o tempo decorrido
desde a primeira ruga pronunciada
a recortar-me a face e a testa)
Ao que assisto num ai clamoroso.

Mas o certo é que esse desânimo
Vem de fora e estremece cá dentro
(recortado em receios e enlevos)
Até me agitar os neurónios
Tornando-os num emaranhado de prós e contras
Em desespero odioso.

Tudo suporto afinal, já não na esperança
De dias melhores feitos de velhice recortada em datas
E calendários
Em tom tenebroso
Mas na (quase) certeza
De que o passado quer justificar o presente
E se afasta cada vez mais do futuro
Que conscientemente
Não sei dimensionar.

05.09.2008

MÁRIO MATTA E SILVA