
RECORTES E DIMENSÃO
Porque me tornei curioso
Querendo desvendar tudo
E ansioso
Para tudo entender – não sei.
Remexo em catadupas de livros
E vou multiplicando os recortes
De jornais e revistas que espalho
Em desalinho duvidoso
Desordenadamente pelas prateleiras atulhadas
Do escritório.
Porque me desfaço em desânimo
Cada vez que me recorto no espelho
Caprichoso
(maldizendo o tempo decorrido
desde a primeira ruga pronunciada
a recortar-me a face e a testa)
Ao que assisto num ai clamoroso.
Mas o certo é que esse desânimo
Vem de fora e estremece cá dentro
(recortado em receios e enlevos)
Até me agitar os neurónios
Tornando-os num emaranhado de prós e contras
Em desespero odioso.
Tudo suporto afinal, já não na esperança
De dias melhores feitos de velhice recortada em datas
E calendários
Em tom tenebroso
Mas na (quase) certeza
De que o passado quer justificar o presente
E se afasta cada vez mais do futuro
Que conscientemente
Não sei dimensionar.
05.09.2008
MÁRIO MATTA E SILVA
Sem comentários:
Enviar um comentário