terça-feira, novembro 28, 2006

NA ESQUINA DOS ANOS

NA ESQUINA DOS ANOS

A voragen
tomou conta de nós
no gesto e na voz
a ecoar na aragem
que nos fustiga
lenta e antiga.

As horas batem
ordenadas
febris, enervadas;
as angústias partem
e voltam em remoínhos.
Corações em desalinho.

Os dias sedentários
não têm horários
em calendários ancestrais;
as mortes são banais
como as flores a abriri
os lábios a sorrir.

A poluição
vem em quadrilhas
não em seis-tilhas;
a terra é um caldeirão
que estremece
porque magoada, aquece.

Na esquina dos anos
sobram erros, enganos
estilhaçando o Ser
para se morrer

sabe-se lá de que forma
sem estatuto ou norma.

27.11.2006




(ao Surrealismo e para Mário Cesariny de Vasconcelos - falecido com 83 anos, ontem 26.11.2006)

terça-feira, novembro 21, 2006

HÁ UM DESEJO...





HÁ UM DESEJO...


noutratitude

noutratitude

HÁ UM DESEJO NESTE LUGAR

Há um desejo
forte que me ronda
a mente
que num lampejo
te busca e sonha
não demente.

Há um desejo
que me consome
quando vem
desaustinadamente
e permanece, como a fome
que se tem.

Há um desejo
matraquiando forte
no meu querer
e no não querer a morte
por sorte
sei que te vou ter.

Há um desejo
aqui neste lugar
neste pontinho ínfimo do mundo
mais do que profundo
dentro do meu ser
para de ti não mais me apartar!

em Aldeia de Teixeira
(Caldas da Rainha)04.11.2006

noutratitude

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