quinta-feira, julho 29, 2010

DERROCADA












DERROCA


Veio a tempestade

arrancar-me ao espirito

a quietude desejada

na tarde sobresaltada

feita de falsa verdade

e o vento soprou

e a noite não amainou

cá dentro de mim

enquanto o tudo

do meu Ser

ficou em nada

num faz de conta

de viver

e numa amargura

do não te ter

jamais para mim.

Foi a derrocada final

na onda imensa da corrente

e o sentir deprimente

da derrocada

de tudo aquilo que construimos

acrescentámos, diluimos

num sopro de desilusão.

Nada ficou em cada mão

nada durou para além do adeus

e nem em socorro cairam os céus

que cobrem nossas vidas.

Horas perdida

do tudo construído

agora destruido

em tempo agreste e feio

por mim, por ti

mau tempo de permeio

o travo do sabor

acre e amrgo

da própria dor

de nos desentrelaçarmos

de nos despedaçarmos

tão loucamente

tão tristemente!

A vida é afinal

este vendaval

feita de derrocada imensa

de amargura intensa

e de clamor

pelo amor

que recusámos

num Mundo ruim

onde poisámos

nossos desejos

nossas ternuras e beijos

de que me despedi

levando as horas sem ti

nessa imensa

intensa

e insuportável dor.


29. Julho. 2010

quarta-feira, julho 14, 2010


HOMENAGEM SENTIDA
AO POETA ANTÓNIO MANUEL COUTO VIANA

Indefeso percorro meu caminho
Na tristeza de te ver partir
Num terminar de vida
Atribulada e simples
Feita de teus saberes poéticos
Teus valores estéticos
Teus galhofares de ironia sublimes.

Sinto tua caminhada, amigo
Numa grandeza morna
E eloquente sabedoria
Desfazendo cada sinuoso dia
De tua vida imensa
Tão plena quanto intensa
Tão ávida de esperança,

E vem-me à lembrança
Nossos encontros de saber feitos
Teus ensinamentos perfeitos
E meu acatar do teu saber
Desperto em horas infindáveis
Nos versos tão moldáveis
A essa tua mente criadora.

E vou de livro em livro que escreveste
Numa permanência de te haver
Ali sentado, em palavras desfeito
E um trinar de peito
Que te enleva e suspende
Em tudo que se entende
De tuas nobres mensagens.

Obrigado amigo
Que no teu saber de hoje, valiosamente antigo
Me estendeste a mão
Num puro, franco e são
Compreender de mim
Tão forte assim
Num jeito que ficou de nós.

E vejo teus gestos
Sinto tua voz
E teu acto criador imenso
Que inda agora não dispenso
Porque te continuo a ter
Aqui, sem pressas, a escrever, a escrever
Nesse mar inesgotável de poemas ao qual também pretenso.

8 de Junho de 2010
MÁRIO MATTA E SILVA




quinta-feira, junho 24, 2010

O REGRESSO





O REGRESSO



Venho de longe

tentar-te

no macio das mãos

nos lábios

nas ancas e nas pernas

nesses gestos de ternura

viris e sãos

buscando a formosura

onde ela está

e me espera

ou se confidencia

no corpo que se dá

inteiro

ao gesto meigo

de um jardineiro

tratando de seu jardim;

ai de mim

se assim fora

a qualquer tempo

a qualquer hora

no jeito

arfando no peito

de enfeitar

de flores

tratadas por amores

num sem fim de beijos
eu não mendigava o teu calor
feito natureza.
24 de Junho de 2010